Ética e transparência são duas palavras que aparecem agora constantemente no vocabulário político utilizado em Angola, sobretudo em seminários para funcionários públicos e empresários, depois de vários casos de corrupção terem sido por várias vezes referidos na imprensa estrangeira.

 

 

Esta semana, o vice-governador do Zaire para o sector económico, Alberto Sabino, foi citado pelo Jornal de Angola, como alertando os gestores do património público para a necessidade do  “aumento dos níveis de transparência nas aquisições do Estado”

Alberto Sabino falava num seminário promovido pelo Ministério das Finanças em Mbanza Congo, a 500 quilómetros de Luanda, sobre a execução do Orçamento Geral do Estado de 2013,

O vice-governador aludiu também à diminuição gradual da dependência  das receitas da produção petrolífera, pelo que se torna premente o aumento da “produção agrícola e a capacidade colectiva do sector não petrolífero. É também imperiosa a necessidade de arrecadação de receitas através dos respectivos sistemas tributários, assim como a sua fiscalização e consequente gestão”,

Numa outra notícia, o jornal cita o governador do Uíge pedindo aos administradores municipais e representantes das empresas contratadas para o fornecimento de fármacos e merenda escolar, que tenham “maior transparência, honestidade e responsabilidade na aquisição dos mesmos”

 

Paulino Pombo terá mesmo afirmado claramente que há irregularidades no fornecimento de medicamentos nalguns centros e postos de saúde daquela província.

A mesma edição do “Jornal de Angola” noticia ainda a abertura de um Centro de Ética Empresarial, nos arredores de Luanda.

Na altura, o secretário-geral da Câmara do Comércio e Indústria de Angola, Sérgio Gomes, terá declarado que “o Código de Ética nas empresas vai, de certo modo, transformar a gestão das empresas, proporcionando mais credibilidade e sustentabilidade às firmas nacionais”, proporcionando “ganhos em termos de confiança e uma relação de credibilidade entre os credores, fornecedores, o Estado, as comunidades e os parceiros globais”.

“Queremos que as empresas apresentem um rosto humano baseado na eficiência e sustentabilidade e incluam nas suas estratégias a tripla dimensão de desenvolvimento: económico, social e ambiental”, acrescentou.

As declarações angolanas sobre ética e transparência ocorrem na mesma semana em que os ministros da Justiça dos oito países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em que se inclui Angola, acordaram, em Lisboa, o reforço da prevenção e do combate a “todas as formas de corrupção, em especial contra a corrupção de agentes públicos nas transacções comerciais internacionais.”, particularmente premente “,  perante a crise económica e financeira mundial e o aparecimento de novas formas de exploração de recursos naturais não renováveis”.